A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) intensificou a fiscalização contra a venda de medicamentos para emagrecimento sem registro no Brasil. Em uma nova resolução publicada na segunda-feira (13 de abril de 2026), o órgão determinou a apreensão e proibição imediata de duas novas marcas: Gluconex e Tirzedral.
A medida, que atinge a comercialização, distribuição, importação e uso, fundamenta-se na ausência de registro sanitário e na fabricação por empresas desconhecidas, o que impede a garantia de segurança e eficácia dos produtos.
A proibição das marcas Gluconex e Tirzedral é o capítulo mais recente de uma ofensiva que começou no final de 2025. Desde então, a Anvisa vem derrubando sistematicamente todas as versões de Tirzepatida e Retatrutida produzidas em laboratórios paraguaios ou vendidas por importadores informais.
A agência alerta que esses produtos são divulgados em perfis de redes sociais como alternativas mais baratas às canetas originais, mas não passam pelos testes rigorosos exigidos pela legislação brasileira.
Abaixo, reunimos todas as marcas e laboratórios que foram alvo de resoluções da Anvisa nos últimos meses e que estão proibidos no Brasil:
| Marca / Substância | Laboratório / Fabricante | Situação |
| Gluconex e Tirzedral | Desconhecido | Proibidos em Abril/2026 |
| Lipoland (15mg) | Landerlan | Proibido em Fev/2026 |
| T.G (10mg e 15mg) | Landerlan | Proibido em Fev/2026 |
| Lipoless (várias dosagens) | Laboratório Éticos | Proibido em Fev/2026 |
| Tirzec / Tirzec Pen | Todas as marcas | Proibido em Fev/2026 |
| Retatrutida (40mg) | TODAS as marcas e lotes | Uso proibido no Brasil |
| Synedica e TG | Synedica / Outros | Proibidos em Jan/2026 |
| Tirzazep | Royal Pharmaceuticals | Proibido em Nov/2025 |
| T.G. 5 | T.G. / Indufar | Proibido em Nov/2025 |
Um ponto de atenção especial recai sobre a Retatrutida. A Anvisa reforça que esta substância ainda está em fase de ensaios clínicos globais e não possui aprovação para uso comercial em nenhum país do mundo. Qualquer produto vendido com este nome é considerado clandestino e oferece risco desconhecido à saúde.
A ofensiva da Anvisa, embora amparada pela lei de vigilância sanitária, abre um debate complexo na Tríplice Fronteira. Atualmente, o tratamento original disponível nas farmácias brasileiras possui um custo proibitivo para grande parte da população. Diante disso, muitos pacientes — sob orientação médica — cruzavam a ponte para adquirir marcas fabricadas pro laboratórios tradicionais e até centenários no Paraguai, empresas com registro e fiscalização rigorosa em território paraguaio (Dinavisa).
Ao proibir não apenas a venda, mas também a importação e o uso dessas marcas no Brasil, cria-se um impasse: o paciente que iniciou o tratamento e não tem condições de arcar com os preços praticados no mercado brasileiro se vê em uma encruzilhada.
O risco é que a proibição total não interrompa o consumo, mas apenas o empurre para a clandestinidade. Sem a possibilidade de trazer o produto legalmente para uso próprio, o caminho para o contrabando por vias não oficiais torna-se um atrativo perigoso, onde o controle de qualidade se perde completamente.
No fim, a pergunta que ecoa entre os usuários e o trade da fronteira é inevitável: ao banir produtos de laboratórios certificados no país vizinho sem oferecer uma alternativa de preço acessível no mercado interno, quem a Anvisa está realmente protegendo? O consumidor, garantindo sua segurança, ou a exclusividade de mercado das grandes patentes